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“O legal do artesanato é que é um presente único”

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outubro 18, 2012 por beatrizspinelli

Olá!

Primeiro post do “Palavra do Artesão” e nossa convidada é a Sheila Reis, de Itaquaquecetuba (SP). Ela faz Patchwork e outros tipos de artesanato usando tecido.

Foi uma delícia o papo na casa dela. Uma pessoa muito alegre e receptiva. Logo que a conversa começou a fluir ela me mostrou a encomenda que estava embalando. O destino era Uberlândia (MG). As duas caixas cheias de Tupilas cheirosas fariam a alegria de uma Festa de Bodas. Sentamos no sofá e Sheila já estava à vontade para me contar sobre sua vida. E eu a ouvia atenta.  A cada parte da história eu descobria como é apaixonante o que ela fazia.

Artesanato é a paixão de Sheila desde menina. Mas nunca havia sido levada a sério até que a maternidade chegou. Quando sua primeira filha nasceu, há cerca de nove anos, ela deixou de trabalhar. O artesanato foi uma opção para complementar a renda. Os primeiros trabalhos foram lembrancinhas de nascimento e de aniversário. Primeiro para a família e depois para pessoas próximas.  Nessa época, ainda era um hobbie e ela não tinha muita experiência. O seu blog, na época, chamava “Querer sempre bem”.

“Eu não fiz curso de nada. Fui aprendendo tudo na internet e em revistas. Os primeiros não eram tão bons, mas quanto mais você faz a peça mais você vai se aperfeiçoando.” Seu começo foi simples como o da maioria das pessoas: experimentando com o material que tinha, no começo eram retalhos, e sem nenhum investimento inicial. “Eu comecei com uma maquininha “Shing-Ling” que eu tinha. Ela funcionava no botão, nem tinha pedal. Foi quando eu comecei a xeretar e vi que dava certo. Fazia com retalhos da minha sogra que é costureira.” Então, ela começa empolgada a me mostrar as primeiras peças, que servem hoje de brinquedos para as filhas, Luana e Camila.

O negócio começou a se profissionalizar quando seus pais se aposentaram do trabalho de feirantes. Ela os chamou para montarem um negócio juntos. O objetivo era fazer com que eles vivessem dos trabalhos que produziriam. Foi então que surgiu o Fio da Vó. O Blog que criou há mais ou menos um ano para expor os produtos que faziam.  “Agora é sério, estamos até com cartãozinho, é tudo mais profissional, desde que começamos. Temos uma até uma lojinha no Elo7.”

Ela diz que a internet ajuda muito. O Blog, o Elo7 e principalmente o Facebook. Seus clientes são a maioria de lá. Ela conta até dos Buquês de Santo Antônio que fez para noivas. Mas diz que a internet demanda muito tempo, muitas horas entrando em blogs, divulgando nas redes. E se cobra por não ter tanto tempo para essa tarefa.

 

Negócio de Artesão: E você já teve algum grande pedido?

Sheila: No Dia das Mães desse ano fizemos porta-recados. Pegamos uma escola e foram 360 peças para fazermos em um mês. Então, você vê um valor mais alto em coisa de 30 dias, para poder entregar a encomenda. Foi quando pude comprar uma máquina de costura. No pedido, eles me pagaram metade, que eu usei para comprar os materiais e a máquina, sem investimento, foi do que eu já estava recebendo pelo meu trabalho. Foi muito legal. E agora no Dia dos Pais foi uma lixeira para o carro.

Negócio de Artesão: Como é o seu investimento inicial?

Sheila: O legal do artesanato é que percebemos que não precisávamos fazer um investimento inicial grande. Eu comecei com pouquinho. O que deu uma alavancada foi quando comprei uma máquina de costura e outros materiais para facilitar o trabalho. Hoje eu tenho um estoque bom de tecido, mas comecei comprando meio metro.  Agora compro 30 metros. Isso já melhora o preço do produto, porque você consegue comprar com valor melhor quando compra em grande quantidade. Eu comecei com uma caixinha de plástico. Foi o prazo de um ano para eu conseguir esse estoque. E já dá para eu trabalhar, produzir e gerar dinheiro.

Negócio de Artesão: Você já consegue ter um caixa? Como faz para comprar material novo?

Sheila: Eu não consegui ter um caixa ainda, mas isso é por causa do sistema que eu estou trabalhando, com meus pais, para gerar renda para eles.  Se eu trabalhasse sozinha, conseguiria. Então eu não mantenho dinheiro, só mesmo o essencial para eu poder comprar mercadorias. Mesmo que eu já tenha o material, eu guardo. Como no caso das tulipas: eu já tinha o material, não precisei comprar, mas eu sei quanto eu gasto para fazer cada uma delas. Então, do valor total que eu vou receber, vou tirar o gasto que eu teria se tivesse que comprar tudo e vou guardar, para que numa próxima compra, eu já tenha dinheiro para comprar os produtos. E essa lógica está dando certo.

Negócio de Artesão: E como você faz para colocar o preço nos seus produtos?

Sheila: A gente estava até brincando que é tudo calculado. E é mesmo! Para não termos prejuízo, nem cobrarmos a mais do que é justo. No caso das tulipas, por exemplo, se eu tenho um metro de tecido, quantas tulipas eu faço com ele? Quanto de manta acrílica preciso, quantos palitos, até a perolazinha? Tudo eu calculo, então eu sei quanto sai para mim, cada uma, o custo exato. Essa é a parte do custo.

A mão-de-obra eu calculo assim: uma média de quanto seria o meu salário em um mês se eu trabalhasse fora? X. Esse X eu divido pelo número de dias que eu trabalharia em um mês, trabalhando oito horas por dia. E aí para saber quanto é a minha mão de obra em uma tulipa, eu cronometro. Se eu demorar 6 minutos para montar uma tulipa inteira, fazendo o calculo vou saber quanto ela sai para mim e aí vou poder cobrar um preço mais justo.

Dessa forma, sei também quanto tenho que produzir para chegar ao meu salário ideal. Mas eu acabo ganhando proporcional. Se eu conseguir fazer bastante coisa em um mês, eu vou conseguir ganhar bem próximo do que eu gostaria de ganhar.

E também tem o cálculo do frete, que é por peso, então você tem que sempre fazer estimativas. E é por isso, que eu digo que está mais profissional.

Antes, eu fazia tudo a olho. Custou um real, multiplica por três. Então eu cobro três Reais. A maioria das pessoas faz isso. Só que eu vejo que assim você tem perda. Se eu demoro uma hora para fazer cada tulipa. Se eu cobrar três reais, minha hora de trabalho vai valer um Real. É muito pouco. E tem gente que começa a trabalhar com artesanato e desiste porque acha que não dá lucro.

Depois dessa conversa mais financeira, perguntei a ela sobre o futuro. Com um belo sorriso ela falou: um ateliê. Depois começou a contar que seu objetivo é conseguir vender bem em todas as épocas mais festivas do ano que vem: Dia das Mães, Dia dos Pais, Páscoa, Dia das Crianças e Natal. Conseguir triplicar o que ela conseguiu esse ano.

Além disso, Sheila quer juntar um grupo de amigas que fazem artesanato e montar um Chá de Artesanato a cada três meses. Desta forma, elas podem se reunir e vender para conhecidos e amigos que tenham interesse em trabalhos manuais em geral.

Só então ela voltou a falar do atleiê, que seria um local em que ela poderia fazer suas peças e vendê-las com muito carinho. Mas, pra Sheila, esse sonho só vai se realizar em uns três anos de trabalho.

Espero que você tenha gostado da história da Sheila e do Fio da Vó. Visitem o Blog e o Face. Confira as peças que ela faz. Vai amar, assim como eu!

 

Sábado vamos publicar o Passo-a-passo que ela ensinou, com exclusividade, para o Negócio de Artesão. Será esse Porta-Lenço de Papel. Não perca!

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3 pensamentos sobre ““O legal do artesanato é que é um presente único”

  1. Margarete disse:

    Sheila, vc merece esse reconhecimento!!!!
    Recomendo, caprichosa e de confiança!!!!!

  2. […] Vamos ao nosso primeiro passo-a-passo. Um lindo porta-lenço ensinado pela Sheila, do Fio da Vó. […]

  3. joyce lima disse:

    Nossa ela faz um trabalho bem bacana, com pouco investimento e peças lindas….adorei.

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